12 de nov de 2012

Diabetes atinge quatro em cada dez paraenses


Com vários panfletos em mãos e após o esclarecimento das mais variadas dúvidas, a dona de casa Rosa Teixeira se dirigia  a um local onde poderia verificar a quantidade de glicose presente em seu sangue. A ocasião era uma oportunidade proporcionada pela mobilização realizada ontem pela rede de farmácias Big Ben pelo Dia Mundial do Diabetes. A maior preocupação da dona de casa era mesmo obter informações sobre os novos hábitos que o neto Gabriel terá que adotar. 
Diagnosticado com diabetes há apenas um mês, o menino de nove anos também teve a possibilidade de verificar a glicemia no posto montado pela farmácia na Praça Batista Campos. “Faz um mês que descobrimos que ele tem diabetes. Tudo é muito novo para a gente”, dizia a avó enquanto encaminhava o neto para fazer o teste gratuito. “Ainda não sabemos lidar com a doença, ainda mais por ele ser uma criança. É difícil tirar todas as guloseimas dele, mas estamos conseguindo controlar”. 
Apesar da surpresa sentida pela família ao descobrir que Gabriel tinha adquirido diabetes antes mesmo de completar 10 anos de idade, a dona de casa afirma que ele não é a primeira pessoa da família a possuir a doença. “Ficamos surpresos, mas ele leva uma vida normal. É hereditário. A mãe dele também tem diabetes”, relaciona. “Eu fiquei sabendo dessa ação pelo jornal e fiz questão de vir. A oportunidade é ótima para termos mais conhecimento através de profissionais que são os mais indicados para nos orientar”. 
Apesar de se desenvolver, na grande maioria das vezes, em pessoas que já passaram dos 60 anos de idade, a incidência de desencadeamento da doença em pessoas mais jovens, como é o caso de Gabriel, tem aumentado muito. De acordo com a coordenadora estadual do programa Hipertensão Arterial e Diabetes (Hiperdia) da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), Marta Bouillet, o aumento da incidência vem preocupando os profissionais que atuam na prevenção e controle do diabetes. “Acima de 60 anos, a pessoa já tem um risco muito grande de desenvolver a doença, mas cada vez mais as pessoas estão desenvolvendo a doença mais cedo”, ressalta. “Está aumentando a incidência em pessoas que tem entre 30 e 60 anos e isso é muito preocupante”. 
Segundo a coordenadora, se não tratada, a doença pode evoluir para quadros muito mais sérios, já que é uma patologia crônica que afeta principalmente o cérebro, o coração e os rins. “Mundialmente a diabetes já é considerada uma epidemia mundial por conta do alto índice de obesidade e sedentarismo. Temos uma estimativa de que cerca de 50% dos pacientes que desenvolverem diabetes vão ter insuficiência renal”, afirma. “A cada 10 paraenses, 3,9 vai desenvolver a doença em alguma fase da vida”. 

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